Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Domingo, 12 de Julho de 2009
Sábado, 11 de Julho de 2009
Sábado, 4 de Julho de 2009
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
De quem é a culpa?

Não existe um culpado sozinho. Em uma relação afetiva, as consequências são dos dois. Ambos são responsáveis tanto pelo sucesso quanto pelo fracasso da relação.
O afeto não é decorrente do vínculo genético. Se não houver uma tentativa de aproximação de ambos os lados, a relação estará predestinada ao fracasso. O relacionamento afetuoso deverá ser fruto de aproximação espontânea, cultivada reciprocamente, e não de simples cumprimento de um dever social imposto de fora para dentro.
As relações são de mão dupla, não se tem um ato isolado, o parceiro estará sempre consciente ou não. Enquanto estiver na relação, estará compactuado com o parceiro. Muitas vezes as reclamações entram no lugar da solução, a palavra já traduz reclama-ação. Quem estiver na relação da qual está reclamando, é por que escolheu estar e lá não tem sentido ficar acusando e responsabilizando o parceiro.
Cada um é responsável pelo seu sofrimento, pois muitos preferem ficar na relação fracassada do que correr riscos. Sim leitor, a culpa é da sua ex-mulher e a culpa é sua também. Portanto, é importante aprender que na vida não existe nenhum sofrimento que não seja de nossa responsabilidade.
O afeto não é decorrente do vínculo genético. Se não houver uma tentativa de aproximação de ambos os lados, a relação estará predestinada ao fracasso. O relacionamento afetuoso deverá ser fruto de aproximação espontânea, cultivada reciprocamente, e não de simples cumprimento de um dever social imposto de fora para dentro.
As relações são de mão dupla, não se tem um ato isolado, o parceiro estará sempre consciente ou não. Enquanto estiver na relação, estará compactuado com o parceiro. Muitas vezes as reclamações entram no lugar da solução, a palavra já traduz reclama-ação. Quem estiver na relação da qual está reclamando, é por que escolheu estar e lá não tem sentido ficar acusando e responsabilizando o parceiro.
Cada um é responsável pelo seu sofrimento, pois muitos preferem ficar na relação fracassada do que correr riscos. Sim leitor, a culpa é da sua ex-mulher e a culpa é sua também. Portanto, é importante aprender que na vida não existe nenhum sofrimento que não seja de nossa responsabilidade.
By: Antônio Roberto - TV Alterosa - MG
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Cura pela melodia

Em todas as culturas, sociedades e épocas, considera-se que a música detém um poder específico sobre a alma, a consciência e os sentimentos dos indivíduos e da coletividade, qualquer que seja a forma que a atividade musical assume na realidade histórica e social concreta.
Todos já experimentamos esse poder caprichoso: a audição casual de um trecho de canção, as notas de uma sonata clássica ou um solo jazzístico de piano atingem, com precisão misteriosa, zonas de nossa memória e de nossa sensibilidade até então na sombra. Somos assim inesperadamente – e de boa vontade – dominados por uma emoção pura inominável – e familiar.
Somos tentados a pensar a música como uma potência que escapa às hierarquias e generalizações, um domínio indiferenciado e caótico: afinal, essa experiência parece ser pessoal, embora compartilhada por milhões de pessoas, e, além disso, qualquer que seja o tipo de música, o resultado não é alterado (nesse campo, Bach vale tanto quanto Laura Pausini). Não devemos, porém, subestimar esse poder universal, tantas vezes identificado como uma das marcas fundamentais da natureza humana, sobretudo quando ele tem a possibilidade de alterar os estados de consciência das pessoas. É o que ocorre, por exemplo, na terapia de dança e música do tarantulismo, que realiza rituais antiguíssimos, e em experiências de possessão do êxtase ativadas por sons, presentes em todo o mundo, da Terra do Fogo à Sibéria, do Brasil ao Vietnã.
O som governa a mente do homem e os deuses não são estranhos a esse atributo, se é verdade que, nos diversos mitos de criação, sempre que a gênese do mundo é descrita com suficiente precisão, um elemento acústico intervém no momento decisivo da ação: no instante em que a entidade divina manifesta sua vontade de criar o céu, a terra, os homens e todas as coisas, ela emite um som, muitas vezes cantando ou tocando um instrumento.
Os poderes dignos de uma divindade parecem se transferir a essa forma de expressão difusa em todas as culturas, capaz de suscitar emoções profundas, comover, entristecer, excitar e até promover a cura: o xamã africano reanima o jovem debilitado tocando ao seu lado um pequeno tambor, com um ritmo progressivamente idêntico ao do coração do rapaz, depois o alterando até atingir o correto batimento cardíaco. Sugestão? Talvez, mas, sobretudo, uma questão de ritmo, como no caso do baterista que arrebata o público.
O som musical, integrado no sistema de representações que lhe confere seu poder específico, surpreende não só porque intervém de modo direto no estado de consciência do indivíduo, mas, ainda mais, por sua capacidade de influenciar coletivamente o comportamento das pessoas. Os mais de 700 mil jovens europeus que tomaram as ruas da Berlim unificada dos anos de 1990, não para “mudar o mundo”, mas para experimentar, por horas, o impressionante rito pós-moderno da rave mais gigantesca da história, foram protagonistas, testemunhas e herdeiros inconscientes de uma vivência de estimulação psico-motora coletiva não muito distante da produzida pelos ritos ligados aos transes dionisíacos, dessa vez induzidos pelo som implacável da música techno. O som e o ritmo eram encantatórios, como o dos xamãs, talvez potencializado pelo álcool e outras substâncias: mas esta também é uma história antiga...
É evidente que a música “excita as almas”. Daí a desconfiança geral, a má reputação de certas práticas musicais para as instituições, em todas as épocas e regimes: atraente, universal e perigosa, a complexa questão da música é por vezes rebaixada a simples problema de ordem pública.
A universalidade da resposta individual e coletiva aos poderes da música significa que esta corresponde a uma disposição psicofísica inata da natureza humana, mais ou menos desenvolvida dependendo da pessoa. Haveria algo como uma “mente musical”? E, caso exista, quais são os processos psíquicos e fisiológicos ativados na produção e audição de um trecho musical?
Os progressos da pesquisa científica sobre o cérebro geraram conhecimentos a respeito do “onde” e do “como”: sabemos que o hemisfério direito é o “lócus musicalis” da tonalidade, do timbre e da harmonia, enquanto outros aspectos da música, como o ritmo, pertencem ao hemisfério esquerdo. Essa descoberta e muitas outras não bastam, todavia, para afirmarmos que a ciência explicou a criatividade musical e seus poderes, destinados, em alguma medida, a permanecer ocultos. Em particular, o “porquê” da música permanece fora do horizonte da demonstração científica.
O artista tem o conhecimento da arte e a mão tremente, escreveu Dante no Canto XIII do Paraíso: isto é, o artista possui a técnica, o habitus, o domínio de sua arte, mas só é artista em razão daquele “tremor”, que não pode ser calculado ou dominado, aquela hesitação sem a qual nada ocorre e sem a qual a arte não é possível. É em virtude desse tremor que a arte, e, portanto, a música, escapa a qualquer forma excessiva de controle racional. O poder da música jamais foi plenamente demonstrado pela ciência, mas sempre foi descrito: comunidades das mais diversas tradições e culturas não só descreveram e aceitaram esse poder, mas empenharam-se em celebrá-lo coletivamente, com seus rituais, danças, cantos, corpos e instrumentos. Para todas elas e um pouco para todos nós parece valer a célebre observação de Friedrich Nietzsche: sem música, a vida seria um erro.
By: Ricardo Giagni
Todos já experimentamos esse poder caprichoso: a audição casual de um trecho de canção, as notas de uma sonata clássica ou um solo jazzístico de piano atingem, com precisão misteriosa, zonas de nossa memória e de nossa sensibilidade até então na sombra. Somos assim inesperadamente – e de boa vontade – dominados por uma emoção pura inominável – e familiar.
Somos tentados a pensar a música como uma potência que escapa às hierarquias e generalizações, um domínio indiferenciado e caótico: afinal, essa experiência parece ser pessoal, embora compartilhada por milhões de pessoas, e, além disso, qualquer que seja o tipo de música, o resultado não é alterado (nesse campo, Bach vale tanto quanto Laura Pausini). Não devemos, porém, subestimar esse poder universal, tantas vezes identificado como uma das marcas fundamentais da natureza humana, sobretudo quando ele tem a possibilidade de alterar os estados de consciência das pessoas. É o que ocorre, por exemplo, na terapia de dança e música do tarantulismo, que realiza rituais antiguíssimos, e em experiências de possessão do êxtase ativadas por sons, presentes em todo o mundo, da Terra do Fogo à Sibéria, do Brasil ao Vietnã.
O som governa a mente do homem e os deuses não são estranhos a esse atributo, se é verdade que, nos diversos mitos de criação, sempre que a gênese do mundo é descrita com suficiente precisão, um elemento acústico intervém no momento decisivo da ação: no instante em que a entidade divina manifesta sua vontade de criar o céu, a terra, os homens e todas as coisas, ela emite um som, muitas vezes cantando ou tocando um instrumento.
Os poderes dignos de uma divindade parecem se transferir a essa forma de expressão difusa em todas as culturas, capaz de suscitar emoções profundas, comover, entristecer, excitar e até promover a cura: o xamã africano reanima o jovem debilitado tocando ao seu lado um pequeno tambor, com um ritmo progressivamente idêntico ao do coração do rapaz, depois o alterando até atingir o correto batimento cardíaco. Sugestão? Talvez, mas, sobretudo, uma questão de ritmo, como no caso do baterista que arrebata o público.
O som musical, integrado no sistema de representações que lhe confere seu poder específico, surpreende não só porque intervém de modo direto no estado de consciência do indivíduo, mas, ainda mais, por sua capacidade de influenciar coletivamente o comportamento das pessoas. Os mais de 700 mil jovens europeus que tomaram as ruas da Berlim unificada dos anos de 1990, não para “mudar o mundo”, mas para experimentar, por horas, o impressionante rito pós-moderno da rave mais gigantesca da história, foram protagonistas, testemunhas e herdeiros inconscientes de uma vivência de estimulação psico-motora coletiva não muito distante da produzida pelos ritos ligados aos transes dionisíacos, dessa vez induzidos pelo som implacável da música techno. O som e o ritmo eram encantatórios, como o dos xamãs, talvez potencializado pelo álcool e outras substâncias: mas esta também é uma história antiga...
É evidente que a música “excita as almas”. Daí a desconfiança geral, a má reputação de certas práticas musicais para as instituições, em todas as épocas e regimes: atraente, universal e perigosa, a complexa questão da música é por vezes rebaixada a simples problema de ordem pública.
A universalidade da resposta individual e coletiva aos poderes da música significa que esta corresponde a uma disposição psicofísica inata da natureza humana, mais ou menos desenvolvida dependendo da pessoa. Haveria algo como uma “mente musical”? E, caso exista, quais são os processos psíquicos e fisiológicos ativados na produção e audição de um trecho musical?
Os progressos da pesquisa científica sobre o cérebro geraram conhecimentos a respeito do “onde” e do “como”: sabemos que o hemisfério direito é o “lócus musicalis” da tonalidade, do timbre e da harmonia, enquanto outros aspectos da música, como o ritmo, pertencem ao hemisfério esquerdo. Essa descoberta e muitas outras não bastam, todavia, para afirmarmos que a ciência explicou a criatividade musical e seus poderes, destinados, em alguma medida, a permanecer ocultos. Em particular, o “porquê” da música permanece fora do horizonte da demonstração científica.
O artista tem o conhecimento da arte e a mão tremente, escreveu Dante no Canto XIII do Paraíso: isto é, o artista possui a técnica, o habitus, o domínio de sua arte, mas só é artista em razão daquele “tremor”, que não pode ser calculado ou dominado, aquela hesitação sem a qual nada ocorre e sem a qual a arte não é possível. É em virtude desse tremor que a arte, e, portanto, a música, escapa a qualquer forma excessiva de controle racional. O poder da música jamais foi plenamente demonstrado pela ciência, mas sempre foi descrito: comunidades das mais diversas tradições e culturas não só descreveram e aceitaram esse poder, mas empenharam-se em celebrá-lo coletivamente, com seus rituais, danças, cantos, corpos e instrumentos. Para todas elas e um pouco para todos nós parece valer a célebre observação de Friedrich Nietzsche: sem música, a vida seria um erro.
By: Ricardo Giagni
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Domingo, 28 de Junho de 2009
Michael Jackson: um rei que passou 5 décadas surpreendendo

Michael mudou a história da música no século 20, tanto quanto os Beatles ou Bob Dylan. Sem ele, teria sido mais difícil para Justin Timberlake, Ashanti, Jay-Z, Madonna, Beyoncé, Britney e mesmo Eminem. Todas as boys band, de Boyzone a New Kids on the Block, deveriam pagar royalties para Michael. Não só pelos passos de dança que ele inventou (como o moonwalk, aquele jeito de parecer que está deslizando para trás numa escada rolante), mas pelo fato de que ele ajudou a quebrar o preconceito de gerações em relação à música pop.
Há 26 anos, quando lançou o disco Thriller, inscreveu definitivamente seu nome na história da música, mas sua obra-prima não foi o único momento em que vitaminou a música popular (Off the Wall e Bad são igualmente impressionantes). Já criança, com os irmãos Tito, Jermaine, Jackie, Marlon e Randy, balançou os alicerces da música negra americana nos anos 1970.
Logo depois, em carreira-solo, trouxe os códigos do hip-hop para uma região confortável da música, isso quando o hip-hop ainda não era o mainstream. Flertou com o heavy metal, trazendo outro maluco famoso, Slash, do Guns N’ Roses, para tocar consigo Também rompeu barreiras sociais, integrando sons do gueto e do povo com as tramas da alta sociedade.
O Rei do Pop criou as regras prototecnológicas do moderno espetáculo de arena, e foi seguido por outros de sua geração, como Madonna, U2 e mesmo os Stones. Nos anos 1980, tornou-se o primeiro artista afro-americano a entrar de sola na grande janela da adolescência branca com seus videoclipes insuperáveis, como Beat It, Billie Jean e Thriller. No ano passado, ao fazer 50 anos de idade, Jacko, como era mais conhecido, tinha deixado de ser gênio para ser só excêntrico. Fez discos a custos astronômicos (Invincible, um dos mais recentes, teve gasto de US$ 30 milhões, o que fazia cada cópia do álbum custar uma fortuna).
Fora de forma e com a saúde abalada, voltou a fazer shows e anunciou 50 apresentações em Londres até março de 2010 - precisava pagar contas atrasadas, que eram muitas. Michael esteve no Brasil em 1993 e depois voltou para gravar videoclipe com o Olodum. Andava pelo morro e pela favela como para reencontrar algum elo fundamental que o reengatasse com seu passado. Mas atropelou um garoto durante fuga com os paparazzi e ficou em choque.
Extravagante, recluso, maluco, supostamente pedófilo e vítima de abuso na infância, embranqueceu a pele e enfureceu os críticos. Peter Pan da terra do pop, criou o rancho Neverland para perpetuar sua busca de um Eldorado onde o tempo não corre. Amigo de outros esquisitões do star system, como Liz Taylor, Naomi Campbell e Macaulay Culkin, foi execrado e amado na mesma intensidade. Quando exibia os filhos da janela de um hotel, perigosamente, passou o atestado definitivo de insanidade
Michael Jackson passou a vida surpreendendo as pessoas, e nos anos recentes nos espantou mais por sua capacidade de causar escândalos e por sua vida pessoal (cirurgias plásticas, acusações de desvios sexuais, dívidas impagáveis) do que por seu talento, que era imenso.
Há 26 anos, quando lançou o disco Thriller, inscreveu definitivamente seu nome na história da música, mas sua obra-prima não foi o único momento em que vitaminou a música popular (Off the Wall e Bad são igualmente impressionantes). Já criança, com os irmãos Tito, Jermaine, Jackie, Marlon e Randy, balançou os alicerces da música negra americana nos anos 1970.
Logo depois, em carreira-solo, trouxe os códigos do hip-hop para uma região confortável da música, isso quando o hip-hop ainda não era o mainstream. Flertou com o heavy metal, trazendo outro maluco famoso, Slash, do Guns N’ Roses, para tocar consigo Também rompeu barreiras sociais, integrando sons do gueto e do povo com as tramas da alta sociedade.
O Rei do Pop criou as regras prototecnológicas do moderno espetáculo de arena, e foi seguido por outros de sua geração, como Madonna, U2 e mesmo os Stones. Nos anos 1980, tornou-se o primeiro artista afro-americano a entrar de sola na grande janela da adolescência branca com seus videoclipes insuperáveis, como Beat It, Billie Jean e Thriller. No ano passado, ao fazer 50 anos de idade, Jacko, como era mais conhecido, tinha deixado de ser gênio para ser só excêntrico. Fez discos a custos astronômicos (Invincible, um dos mais recentes, teve gasto de US$ 30 milhões, o que fazia cada cópia do álbum custar uma fortuna).
Fora de forma e com a saúde abalada, voltou a fazer shows e anunciou 50 apresentações em Londres até março de 2010 - precisava pagar contas atrasadas, que eram muitas. Michael esteve no Brasil em 1993 e depois voltou para gravar videoclipe com o Olodum. Andava pelo morro e pela favela como para reencontrar algum elo fundamental que o reengatasse com seu passado. Mas atropelou um garoto durante fuga com os paparazzi e ficou em choque.
Extravagante, recluso, maluco, supostamente pedófilo e vítima de abuso na infância, embranqueceu a pele e enfureceu os críticos. Peter Pan da terra do pop, criou o rancho Neverland para perpetuar sua busca de um Eldorado onde o tempo não corre. Amigo de outros esquisitões do star system, como Liz Taylor, Naomi Campbell e Macaulay Culkin, foi execrado e amado na mesma intensidade. Quando exibia os filhos da janela de um hotel, perigosamente, passou o atestado definitivo de insanidade
Michael Jackson passou a vida surpreendendo as pessoas, e nos anos recentes nos espantou mais por sua capacidade de causar escândalos e por sua vida pessoal (cirurgias plásticas, acusações de desvios sexuais, dívidas impagáveis) do que por seu talento, que era imenso.
Jotabê Medeiros
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Lavar mão de criança é ato mais eficaz contra resfriados e outras viroses

A chegada oficial do inverno, no último domingo, renova a preocupação a respeito de como evitar as viroses respiratórias. Pais de filhos em idade escolar costumam ficar especialmente alertas devido às lembranças de noites mal dormidas em consequência de viroses que acometem os pequenos nessa época.
O que nem todos eles sabem é que a principal medida para conter esse tipo de vírus está bem a seu alcance - ou, melhor, nas mãos das crianças.
Isso é o que apontou uma análise de 51 estudos sobre diferentes medidas para restringir epidemias de vírus respiratórios, realizada por pesquisadores da Cochrane Collaboration, organização internacional que avalia pesquisas médicas.
Mais do que usar máscaras e luvas ou manter os doentes em quarentena, a intervenção mais eficaz para reduzir a disseminação de doenças respiratórias é manter as mãos das crianças bem limpas.
A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital e Maternidade Santa Joana, concorda. "Tenho orientado pessoas que vão viajar para locais com a gripe suína a higienizar frequentemente as mãos, porque é nelas que carregamos o vírus e onde ele sobrevive por até 30 minutos", diz.
Richtmann diz que as crianças carregam mais vírus porque não têm o hábito de lavar as mãos. "Temos que ensiná-las desde pequenas. Se conseguirmos incutir nas crianças a importância da higienização das mãos para se alimentarem, após irem ao banheiro ou quando espirram, elas serão adultos mais preparados para evitar a contaminação", acredita.
O infectologista e pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo Evandro Roberto Baldacci vê a pesquisa com mais cautela. Para ele, as vias aéreas também são responsáveis por grande parte da transmissão dos vírus respiratórios, por meio de espirros e tosse.
"Tanto é assim que a ocorrência dessas doenças aumenta no inverno, quando as crianças ficam em ambientes confinados, que favorecem a transmissão por via aérea", diz. "Mas o agente transmissor também fica nas superfícies. Quando elas são manuseadas e, depois, quando a mão é levada ao rosto, pode contaminar a pessoa."
O pediatra observa que outra razão para as crianças serem as principais responsáveis pela contaminação está no fato de elas levarem mais as mãos à boca e ao nariz, em um processo de autoinoculação do vírus.
Segundo Baldacci, lavar as mãos com sabonete comum, incluindo todos os dedos e fazendo movimentos de fricção entre eles, é o suficiente como preventivo. Álcool em gel, vendido em farmácias, pode completar a higiene. "Ele prolonga o tempo de mão limpa, mas não substitui a água e o sabão."
Viroses mais comuns
Diferentemente do que se imagina, o vírus influenza, causador da gripe comum, não é o mais frequente entre os vírus respiratórios, pois causa só de 10% a 15% das doenças virais respiratórias, diz Baldacci.
"O grande vilão é o VSR (vírus sincicial respiratório), que chega a ser responsável por 70% dessas doenças, dependendo da época." Ele provoca uma inflamação na parede dos brônquios com sintomas semelhantes aos de um resfriado.
Outro vírus comum é o adenovírus, que causa febre alta, conjuntivite e dor de garganta. "Há cerca de um mês, muita gente aqui em São Paulo pegou o adenovírus, que causa uma virose severa", diz Baldacci.
O que nem todos eles sabem é que a principal medida para conter esse tipo de vírus está bem a seu alcance - ou, melhor, nas mãos das crianças.
Isso é o que apontou uma análise de 51 estudos sobre diferentes medidas para restringir epidemias de vírus respiratórios, realizada por pesquisadores da Cochrane Collaboration, organização internacional que avalia pesquisas médicas.
Mais do que usar máscaras e luvas ou manter os doentes em quarentena, a intervenção mais eficaz para reduzir a disseminação de doenças respiratórias é manter as mãos das crianças bem limpas.
A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital e Maternidade Santa Joana, concorda. "Tenho orientado pessoas que vão viajar para locais com a gripe suína a higienizar frequentemente as mãos, porque é nelas que carregamos o vírus e onde ele sobrevive por até 30 minutos", diz.
Richtmann diz que as crianças carregam mais vírus porque não têm o hábito de lavar as mãos. "Temos que ensiná-las desde pequenas. Se conseguirmos incutir nas crianças a importância da higienização das mãos para se alimentarem, após irem ao banheiro ou quando espirram, elas serão adultos mais preparados para evitar a contaminação", acredita.
O infectologista e pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo Evandro Roberto Baldacci vê a pesquisa com mais cautela. Para ele, as vias aéreas também são responsáveis por grande parte da transmissão dos vírus respiratórios, por meio de espirros e tosse.
"Tanto é assim que a ocorrência dessas doenças aumenta no inverno, quando as crianças ficam em ambientes confinados, que favorecem a transmissão por via aérea", diz. "Mas o agente transmissor também fica nas superfícies. Quando elas são manuseadas e, depois, quando a mão é levada ao rosto, pode contaminar a pessoa."
O pediatra observa que outra razão para as crianças serem as principais responsáveis pela contaminação está no fato de elas levarem mais as mãos à boca e ao nariz, em um processo de autoinoculação do vírus.
Segundo Baldacci, lavar as mãos com sabonete comum, incluindo todos os dedos e fazendo movimentos de fricção entre eles, é o suficiente como preventivo. Álcool em gel, vendido em farmácias, pode completar a higiene. "Ele prolonga o tempo de mão limpa, mas não substitui a água e o sabão."
Viroses mais comuns
Diferentemente do que se imagina, o vírus influenza, causador da gripe comum, não é o mais frequente entre os vírus respiratórios, pois causa só de 10% a 15% das doenças virais respiratórias, diz Baldacci.
"O grande vilão é o VSR (vírus sincicial respiratório), que chega a ser responsável por 70% dessas doenças, dependendo da época." Ele provoca uma inflamação na parede dos brônquios com sintomas semelhantes aos de um resfriado.
Outro vírus comum é o adenovírus, que causa febre alta, conjuntivite e dor de garganta. "Há cerca de um mês, muita gente aqui em São Paulo pegou o adenovírus, que causa uma virose severa", diz Baldacci.
Rachel Botelho - Folha de São Paulo
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Lua de Saturno tem condições para vida, diz estudo

Dois estudos publicados nesta quinta-feira na revista científica Nature discutem hipóteses sobre a existência de um oceano de água salgada – em outras palavras, condições para o desenvolvimento de vida – nas profundezas subterrâneas de Enceladus, uma das luas de Saturno.
Os dois estudos, que chegam a conclusões discrepantes, analisaram amostras de uma coluna de gases, vapor de água e minúsculas partículas de gelo que emana violentamente da superfície do corpo celeste. Os cientistas tentam encontrar explicações para as observações divergentes.
No primeiro estudo, os pesquisadores Nikolai Brilliantov, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, e Juergen Schmidt, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, defendem a teoria de que a coluna expelida da superfície de Enceladus é alimentada por um oceano salgado subterrâneo.
A hipótese de um oceano subterrâneo já vinha sendo investigada pelos cientistas. Agora, ao analisar o material recolhido em 2005 pela sonda Cassini, eles dizem ter detectado sais de sódio entre as partículas de gelo lançadas a centenas de quilômetros no espaço.
Para Brilliantov e Schmidt, este fato corrobora as teorias atuais de que, sempre que uma lua tiver um oceano subterrâneo profundo em contato com a superfície rochosa por muitos milhões de anos, este oceano será salgado.
Vida fora da Terra
De acordo com o estudo, os resultados indicam que a concentração de cloreto de sódio neste corpo de água pode ser tão alta quanto nos oceanos terrestres.
“A Enceladus é um dos lugares com maiores chances de se encontrar vida no Sistema Solar fora da Terra”, disse à BBC o cientista John Spencer, da missão espacial Cassini.
“Estão presentes os três principais ingredientes necessários à vida – os elementos químicos básicos, os blocos básicos, uma fonte de energia, e agora achamos que existe água também. Todos os elementos estão aí. Se isto é suficiente para gerar vida ainda não sabemos, mas estamos muito interessados em saber mais.”
Enceladus está localizada no anel mais distante de Saturno, “E”. Além da Terra, de Marte e da lua de Júpiter Europa, é um dos poucos lugares nos quais astrônomos dizem ter evidências diretas da existência de água.
Entretanto, um segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira da Nature diz não ter encontrado evidências de sódio nas partículas emanadas da coluna de vapor – o que não confirmaria a hipótese de “gêiseres” alimentados por um oceano subterrâneo.
Discrepâncias
O professor Nicholas Schneider, do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado, nos EUA, disse que a diferença nos resultados pode ser explicada pela existência de cavernas profundas nas quais a água evapora lentamente.
“Só se a evaporação fosse mais explosiva, ela conteria mais sais”, afirmou Schneider.
Se for correta a hipótese das cavernas, ele raciocinou, o vapor só seria expelido violentamente no vácuo do espaço ao vazar por rachaduras na superfície gelada de Enceladus conhecidas como “listras de tigres”.
“A idéia da evaporação de um oceano profundo e cavernoso não é tão dramática quanto a que imaginamos antes, mas é possível tendo em vista os resultados até o momento”, disse o pesquisador.
Mas ele advertiu que as evidências podem também significar eventos distintos. “Pode ser gelo aquecido virando vapor no espaço. Poderia até haver locais onde a crosta fricciona em si mesma e este atrito cria água líquida que então evapora no espaço”, prosseguiu.
“Estas são hipóteses que não podemos verificar com os resultados obtidos até agora.”
BBC
Os dois estudos, que chegam a conclusões discrepantes, analisaram amostras de uma coluna de gases, vapor de água e minúsculas partículas de gelo que emana violentamente da superfície do corpo celeste. Os cientistas tentam encontrar explicações para as observações divergentes.
No primeiro estudo, os pesquisadores Nikolai Brilliantov, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, e Juergen Schmidt, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, defendem a teoria de que a coluna expelida da superfície de Enceladus é alimentada por um oceano salgado subterrâneo.
A hipótese de um oceano subterrâneo já vinha sendo investigada pelos cientistas. Agora, ao analisar o material recolhido em 2005 pela sonda Cassini, eles dizem ter detectado sais de sódio entre as partículas de gelo lançadas a centenas de quilômetros no espaço.
Para Brilliantov e Schmidt, este fato corrobora as teorias atuais de que, sempre que uma lua tiver um oceano subterrâneo profundo em contato com a superfície rochosa por muitos milhões de anos, este oceano será salgado.
Vida fora da Terra
De acordo com o estudo, os resultados indicam que a concentração de cloreto de sódio neste corpo de água pode ser tão alta quanto nos oceanos terrestres.
“A Enceladus é um dos lugares com maiores chances de se encontrar vida no Sistema Solar fora da Terra”, disse à BBC o cientista John Spencer, da missão espacial Cassini.
“Estão presentes os três principais ingredientes necessários à vida – os elementos químicos básicos, os blocos básicos, uma fonte de energia, e agora achamos que existe água também. Todos os elementos estão aí. Se isto é suficiente para gerar vida ainda não sabemos, mas estamos muito interessados em saber mais.”
Enceladus está localizada no anel mais distante de Saturno, “E”. Além da Terra, de Marte e da lua de Júpiter Europa, é um dos poucos lugares nos quais astrônomos dizem ter evidências diretas da existência de água.
Entretanto, um segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira da Nature diz não ter encontrado evidências de sódio nas partículas emanadas da coluna de vapor – o que não confirmaria a hipótese de “gêiseres” alimentados por um oceano subterrâneo.
Discrepâncias
O professor Nicholas Schneider, do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado, nos EUA, disse que a diferença nos resultados pode ser explicada pela existência de cavernas profundas nas quais a água evapora lentamente.
“Só se a evaporação fosse mais explosiva, ela conteria mais sais”, afirmou Schneider.
Se for correta a hipótese das cavernas, ele raciocinou, o vapor só seria expelido violentamente no vácuo do espaço ao vazar por rachaduras na superfície gelada de Enceladus conhecidas como “listras de tigres”.
“A idéia da evaporação de um oceano profundo e cavernoso não é tão dramática quanto a que imaginamos antes, mas é possível tendo em vista os resultados até o momento”, disse o pesquisador.
Mas ele advertiu que as evidências podem também significar eventos distintos. “Pode ser gelo aquecido virando vapor no espaço. Poderia até haver locais onde a crosta fricciona em si mesma e este atrito cria água líquida que então evapora no espaço”, prosseguiu.
“Estas são hipóteses que não podemos verificar com os resultados obtidos até agora.”
BBC
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Sábado, 20 de Junho de 2009
Atos secretos

Pois é. Quem pensava que já tínhamos chegado ao fundo do poço com o mensalão, com a operação sangue-suga, com as propinas do Severino Cavalcanti, com a maracutaia das passagens aéreas para os parlamentares, com o descalabro das verbas indenizatórias, enganou-se. Não sabíamos ainda dos atos secretos do Senado! Não são dois ou três. Nem mesmo meia dúzia: são perto de mil! Por eles nomeia-se afilhados, parentes, amigos e até o diabo, se ele tiver um bom pistolão. A imprensa caiu de pau. O presidente do Senado, José Sarney, o dinasta do Maranhão, o homem da inflação de 80% ao mês na sua gestão como presidente da república, tinha vários parentes nomeados pelos atos secretos. Correram rumores de sua renúncia ao cargo de presidente do Senado e o dono do Maranhão foi à tribuna da Casa para se defender. Disse que a crise era do Senado, não dele; disse que um homem como ele, com a sua biografia e sua exemplar carreira pública não podia ser acusado de atos ilícitos. Isto é que é ter cara de pau. Erra e ainda se diz acima de qualquer suspeita, "porque tem ilibada carreira pública". Só se for no Maranhão onde ele domina tudo há mais de 50 anos.
Não bastasse tudo isto, vem o Lula e diz na TV que "não li a reportagem sobre o presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Ora, senhor Presidente, vamos com calma: sua frase advoga, na prática uma espécie de aristocracia dos que não podem ser atingidos pela lei. Que diferença se relembrarmos o que Lula disse de Sarney e de Roseana em 2001, quando esquentava as baterias para a eleição presidencial de 2002. Naquela ocasião, no Maranhão, em pleno palanque disse cobras e lagartos dos dois. O mínimo que disse foi que os dois eram mentirosos. E não é que Sarney e Roseana apoiaram o apedeuta em 2002? Vai entender...Pois em 2006, no mesmo Maranhão, no mesmo palanque, e diante de Sarney e Roseana, Lula, em plena campanha pela re-eleição derramou-se em elogios aos monarcas do Maranhão: aquelas duas figuras horríveis de 5 anos atrás transformaram-se em pessoas da melhor qualidade. É por esta razão que digo que os políticos, na sua imensa maioria, trabalha com três Cs: Convivência, Conveniência e Conivência. Há quem acrescente um quarto C: Corrupção...
Um irmão do presidente do Senado, Ivan Sarney, foi exonerado, por meio de ato secreto, de um cargo de confiança da Casa. A demissão do escritor e advogado Ivan Sarney (PMDB) saiu só agora no sistema interno do Senado, mas com data de 30 de abril de 2007. Ele se soma a outros seis parentes de Sarney que estão ou passaram discretamente pela folha de pagamento do Senado nos últimos anos, além de dois afilhados políticos. A exoneração secreta está em um boletim, revelado apenas agora, com dois atos: um anulando a mudança para o gabinete do Sernador Cafeteira e o outro informando a saída do irmão do presidente do Senado do quadro de funcionários.
No Congresso, Ivan exerceu o cargo de assistente parlamentar, com salário de R$4,8 mil. Deixou o Senado para assumir uma vaga de vereador em São Luís. No ano passado, ele tentou, em vão, se reeleger.
Mas, segundo Lula, Sarney não é uma pessoa como as outras. Não é mesmo. Depende de que outras estamos falando...
Não bastasse tudo isto, vem o Lula e diz na TV que "não li a reportagem sobre o presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Ora, senhor Presidente, vamos com calma: sua frase advoga, na prática uma espécie de aristocracia dos que não podem ser atingidos pela lei. Que diferença se relembrarmos o que Lula disse de Sarney e de Roseana em 2001, quando esquentava as baterias para a eleição presidencial de 2002. Naquela ocasião, no Maranhão, em pleno palanque disse cobras e lagartos dos dois. O mínimo que disse foi que os dois eram mentirosos. E não é que Sarney e Roseana apoiaram o apedeuta em 2002? Vai entender...Pois em 2006, no mesmo Maranhão, no mesmo palanque, e diante de Sarney e Roseana, Lula, em plena campanha pela re-eleição derramou-se em elogios aos monarcas do Maranhão: aquelas duas figuras horríveis de 5 anos atrás transformaram-se em pessoas da melhor qualidade. É por esta razão que digo que os políticos, na sua imensa maioria, trabalha com três Cs: Convivência, Conveniência e Conivência. Há quem acrescente um quarto C: Corrupção...
Um irmão do presidente do Senado, Ivan Sarney, foi exonerado, por meio de ato secreto, de um cargo de confiança da Casa. A demissão do escritor e advogado Ivan Sarney (PMDB) saiu só agora no sistema interno do Senado, mas com data de 30 de abril de 2007. Ele se soma a outros seis parentes de Sarney que estão ou passaram discretamente pela folha de pagamento do Senado nos últimos anos, além de dois afilhados políticos. A exoneração secreta está em um boletim, revelado apenas agora, com dois atos: um anulando a mudança para o gabinete do Sernador Cafeteira e o outro informando a saída do irmão do presidente do Senado do quadro de funcionários.
No Congresso, Ivan exerceu o cargo de assistente parlamentar, com salário de R$4,8 mil. Deixou o Senado para assumir uma vaga de vereador em São Luís. No ano passado, ele tentou, em vão, se reeleger.
Mas, segundo Lula, Sarney não é uma pessoa como as outras. Não é mesmo. Depende de que outras estamos falando...
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Outras profissões deverão ser desregulamentadas, diz Mendes
"Presidente do STF diz que queda do diploma de jornalismo criará 'modelo de desregulamentação"
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse nesta sexta-feira, 20, em São Paulo, que a decisão de derrubar a exigência de diploma de jornalista, tomada pela Corte na noite da quarta-feira, deverá criar um "modelo de desregulamentação" das profissões que não exigem aporte científico e treinamento específico.
"A decisão vai suscitar debate sobre a desregulamentação de outras profissões. O tribunal vai ser coerente e dirá que essas profissões podem ser exercidas sem o diploma." Há, segundo o ministro, vários projetos sobre o tema no Congresso que, se chegarem ao STF, terão a mesma interpretação dada à obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
"A regulamentação, se for o caso, será considerada inconstitucional", afirmou. Mendes esclareceu que, a partir de agora, o registro de jornalista no Ministério do Trabalho "perdeu o sentido", assim como todos os outros aspectos que regulamentavam a profissão. "O registro não tem nenhuma força jurídica."
O ministro também disse "não ser viável juridicamente" a elaboração de uma nova lei pelo Parlamento exigindo diploma, como sugerido pelo Ministro das Comunicações, Hélio Costa.
Sobre a crise no Senado, Mendes apenas disse que há problemas administrativos que precisam ser "disciplinados". Ele considerou que, apesar de tudo, o Congresso está resgatando suas atividades e que, no segundo semestre, o ritmo do Legislativo será normalizado. Mendes abriu nesta sexta o 1º Encontro Nacional de Magistrados de Segunda Instância.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse nesta sexta-feira, 20, em São Paulo, que a decisão de derrubar a exigência de diploma de jornalista, tomada pela Corte na noite da quarta-feira, deverá criar um "modelo de desregulamentação" das profissões que não exigem aporte científico e treinamento específico.
"A decisão vai suscitar debate sobre a desregulamentação de outras profissões. O tribunal vai ser coerente e dirá que essas profissões podem ser exercidas sem o diploma." Há, segundo o ministro, vários projetos sobre o tema no Congresso que, se chegarem ao STF, terão a mesma interpretação dada à obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
"A regulamentação, se for o caso, será considerada inconstitucional", afirmou. Mendes esclareceu que, a partir de agora, o registro de jornalista no Ministério do Trabalho "perdeu o sentido", assim como todos os outros aspectos que regulamentavam a profissão. "O registro não tem nenhuma força jurídica."
O ministro também disse "não ser viável juridicamente" a elaboração de uma nova lei pelo Parlamento exigindo diploma, como sugerido pelo Ministro das Comunicações, Hélio Costa.
Sobre a crise no Senado, Mendes apenas disse que há problemas administrativos que precisam ser "disciplinados". Ele considerou que, apesar de tudo, o Congresso está resgatando suas atividades e que, no segundo semestre, o ritmo do Legislativo será normalizado. Mendes abriu nesta sexta o 1º Encontro Nacional de Magistrados de Segunda Instância.
Fonte" POL (Pascoal On Line)
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Os lucros da crise

Em meio aos inúmeros problemas causados pela tão discutida crise financeira mundial, o meio ambiente foi um dos poucos a lucrar com a situação. O diretor do Centro de Pesquisas para Diminuição das Mudanças Climáticas da Universidade de Cambridge (Londres), Terry Barker, informou recentemente que a recessão pode causar, até 2012, uma redução de 40% a 50% nas emissões de carbono. O número é maior do que os 35% ocorridos na Grande Depressão entre 1929 e 1932.
Outra alternativa para ampliar a economia mensal das empresas e contribuir para o meio ambiente é o investimento em energia limpa. Segundo relatório divulgado pela McKinsey Global Institute (MGI), os países em desenvolvimento poderiam investir cerca de US$90 bilhões anuais nos próximos 12 anos, em melhorias de eficiência energética, com retornos positivos. A análise revela, ainda, que se gastaria ao menos US$2 trilhões, no mesmo período, para expandir a oferta de capacidade adicional para os 22% do consumo de energia que poderia ocorrer sem uma melhoria na produtividade da energia.
Tal estudo comprova que medidas preventivas custam bem menos aos cofres das empresas do que as corretivas. É preciso enxergar a longo prazo e, nessa visão mais ampla, é possível constatar que a falsa economia que se tem hoje irá gerar graves e irreparáveis prejuízos futuramente. No estudo da MGI, verificou-se, também, que a procura energética no grupo de países emergentes conhecidos como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) aumentará em 65% até 2020, representando 80% do crescimento da demanda mundial, da qual essas nações representam mais da metade — e esta participação crescerá para 60% em 2020, sem novas ações.
O Brasil é um dos países com mais recursos naturais para alternativas de energia limpa. Entretanto, falta empenho das empresas e iniciativas privadas em investir em tecnologia para tornar viável o uso da eletricidade por captação de luz solar e eólica.
O consumo consciente é outro item que ganhará espaço na sociedade com a redução forçada de gastos. A queda nas compras fará com que se produza menos lixo, diminuindo consideravelmente a quantidade de produtos desperdiçados e de resíduos materiais. A quantidade de lixo gerado por meio do consumo exagerado é responsável por 61,5 milhões de toneladas por ano, só no Brasil, o que representa um terço de todos os produtos comprados. Por essas razões é imprescindível que a população se conscientize da importância de adquirir apenas o necessário e evitar usar sacolas de plástico e adotar o velho novo hábito da sacola de tecido.
Em meio a tantos prejuízos causados pela crise, os bens naturais serão poupados e medidas alternativas, inteligentes e eficientes serão criadas para diminuir os custos e, consequentemente, ajudar na conservação do meio ambiente e das gerações futuras.
Outra alternativa para ampliar a economia mensal das empresas e contribuir para o meio ambiente é o investimento em energia limpa. Segundo relatório divulgado pela McKinsey Global Institute (MGI), os países em desenvolvimento poderiam investir cerca de US$90 bilhões anuais nos próximos 12 anos, em melhorias de eficiência energética, com retornos positivos. A análise revela, ainda, que se gastaria ao menos US$2 trilhões, no mesmo período, para expandir a oferta de capacidade adicional para os 22% do consumo de energia que poderia ocorrer sem uma melhoria na produtividade da energia.
Tal estudo comprova que medidas preventivas custam bem menos aos cofres das empresas do que as corretivas. É preciso enxergar a longo prazo e, nessa visão mais ampla, é possível constatar que a falsa economia que se tem hoje irá gerar graves e irreparáveis prejuízos futuramente. No estudo da MGI, verificou-se, também, que a procura energética no grupo de países emergentes conhecidos como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) aumentará em 65% até 2020, representando 80% do crescimento da demanda mundial, da qual essas nações representam mais da metade — e esta participação crescerá para 60% em 2020, sem novas ações.
O Brasil é um dos países com mais recursos naturais para alternativas de energia limpa. Entretanto, falta empenho das empresas e iniciativas privadas em investir em tecnologia para tornar viável o uso da eletricidade por captação de luz solar e eólica.
O consumo consciente é outro item que ganhará espaço na sociedade com a redução forçada de gastos. A queda nas compras fará com que se produza menos lixo, diminuindo consideravelmente a quantidade de produtos desperdiçados e de resíduos materiais. A quantidade de lixo gerado por meio do consumo exagerado é responsável por 61,5 milhões de toneladas por ano, só no Brasil, o que representa um terço de todos os produtos comprados. Por essas razões é imprescindível que a população se conscientize da importância de adquirir apenas o necessário e evitar usar sacolas de plástico e adotar o velho novo hábito da sacola de tecido.
Em meio a tantos prejuízos causados pela crise, os bens naturais serão poupados e medidas alternativas, inteligentes e eficientes serão criadas para diminuir os custos e, consequentemente, ajudar na conservação do meio ambiente e das gerações futuras.
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As micros e pequenas empresas e a crise mundial

E a crise mundial atingiu o Brasil. Conforme veiculado na mídia, o produto interno bruto (PIB) caiu 3,6% no último trimestre de 2008. O desemprego aumentou, alguns segmentos estão em retração e economistas já prevêem crescimento zero ou negativo para este ano.
Neste contexto, estão sendo impactadas as Micros e Pequenas Empresas (MPE´s). Para refletirmos um pouco, convido o leitor a rever uma antiga parábola sobre crises financeiras:
"À beira de uma rodovia um homem montou uma barraca para vender cachorro quente. Para chamar a atenção dos carros, ele colocou placas de seu produto nos dois sentidos. Oferecendo em voz alta, atendendo de modo excelente cada cliente, suas vendas cresceram e logo era considerado o melhor da região. O negócio prosperava e o homem cada vez mais investia na qualidade da salsicha, pão, molho, além de incrementar com outros produtos como sucos e refrigerantes. Ampliou ainda a barraca para melhor atender à clientela que aumentava. Com o dinheiro acumulado, mandou seu filho estudar na cidade grande.
Passado alguns anos, o filho retorna e, percebendo que seu pai continuava preocupado em investir cada vez mais na barraca, resolve ter uma conversa com ele:
- Pai, o senhor não lê os jornais? Não vê o noticiário da TV? O mundo está em crise! A recessão é enorme e senhor não vai fazer nada? O futuro que se aproxima é sombrio!
Convencido de que seu filho estava certo, o pai resolveu reduzir despesas. Procurou outros fornecedores mais em conta. Deixou para outra oportunidade a manutenção da placas na estrada, passou a acompanhar mais de perto o noticiário e aos poucos foi perdendo o entusiasmo no atendimento de seus clientes. Como era de se esperar, as vendas caíram até o fechamento da barraca. Então o pai virou para o filho e disse:
- É meu filho, você tinha razão. Nós estamos no meio de uma grande crise!"
A reflexão que gostaria de fazer é que o empreendedor não pode ser ingênuo de imaginar que não existe crise, mas também não crer que o mercado irá parar em decorrência da mesma. As MPE‘s, em sua maioria, não terão problemas com o câmbio ou as exportações. Algumas sofrerão um pouco com as dificuldades de captação de recursos de curto prazo, como a antecipação de recebíveis (cheques e duplicatas) e redução dos prazos de pagamento de alguns fornecedores. Para compensar, basta o empreendedor redobrar a atenção para a gestão do seu negócio.
Para saber como enfrentar essa e outras situações, a melhor forma sempre será investir na capacitação de pessoal, prioritariamente do próprio empreendedor, por meios de cursos de aperfeiçoamento, consultorias, participação em associações ou núcleos para troca de informações.
Conhecer cada vez mais o seu negócio e o ambiente no qual ele está inserido, serão os diferencias na hora das tomadas de decisão. Isto será determinante para definir quem segue em frente ou ficará pelo caminho.
Neste contexto, estão sendo impactadas as Micros e Pequenas Empresas (MPE´s). Para refletirmos um pouco, convido o leitor a rever uma antiga parábola sobre crises financeiras:
"À beira de uma rodovia um homem montou uma barraca para vender cachorro quente. Para chamar a atenção dos carros, ele colocou placas de seu produto nos dois sentidos. Oferecendo em voz alta, atendendo de modo excelente cada cliente, suas vendas cresceram e logo era considerado o melhor da região. O negócio prosperava e o homem cada vez mais investia na qualidade da salsicha, pão, molho, além de incrementar com outros produtos como sucos e refrigerantes. Ampliou ainda a barraca para melhor atender à clientela que aumentava. Com o dinheiro acumulado, mandou seu filho estudar na cidade grande.
Passado alguns anos, o filho retorna e, percebendo que seu pai continuava preocupado em investir cada vez mais na barraca, resolve ter uma conversa com ele:
- Pai, o senhor não lê os jornais? Não vê o noticiário da TV? O mundo está em crise! A recessão é enorme e senhor não vai fazer nada? O futuro que se aproxima é sombrio!
Convencido de que seu filho estava certo, o pai resolveu reduzir despesas. Procurou outros fornecedores mais em conta. Deixou para outra oportunidade a manutenção da placas na estrada, passou a acompanhar mais de perto o noticiário e aos poucos foi perdendo o entusiasmo no atendimento de seus clientes. Como era de se esperar, as vendas caíram até o fechamento da barraca. Então o pai virou para o filho e disse:
- É meu filho, você tinha razão. Nós estamos no meio de uma grande crise!"
A reflexão que gostaria de fazer é que o empreendedor não pode ser ingênuo de imaginar que não existe crise, mas também não crer que o mercado irá parar em decorrência da mesma. As MPE‘s, em sua maioria, não terão problemas com o câmbio ou as exportações. Algumas sofrerão um pouco com as dificuldades de captação de recursos de curto prazo, como a antecipação de recebíveis (cheques e duplicatas) e redução dos prazos de pagamento de alguns fornecedores. Para compensar, basta o empreendedor redobrar a atenção para a gestão do seu negócio.
Para saber como enfrentar essa e outras situações, a melhor forma sempre será investir na capacitação de pessoal, prioritariamente do próprio empreendedor, por meios de cursos de aperfeiçoamento, consultorias, participação em associações ou núcleos para troca de informações.
Conhecer cada vez mais o seu negócio e o ambiente no qual ele está inserido, serão os diferencias na hora das tomadas de decisão. Isto será determinante para definir quem segue em frente ou ficará pelo caminho.
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Supremo decide que é inconstitucional a exigência de diploma para o exercício do jornalismo

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira, que é inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista.
O entendimento foi de que o Decreto-Lei 972/1969, baixado durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica.
A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511961, em que se discutiu a constitucionalidade da exigência do diploma de jornalismo e a obrigatoriedade de registro profissional para exercer a profissão de jornalista. A maioria, vencido o ministro Marco Aurélio, acompanhou o voto do presidente da Corte e relator do RE, ministro Gilmar Mendes, que votou pela inconstitucionalidade do DL 972.
Para Gilmar Mendes, “o jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensados e tratados de forma separada”, disse. “O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de forma contínua, profissional e remunerada”, afirmou o relator.
O RE foi interposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que afirmou a necessidade do diploma, contrariando uma decisão da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo, numa ação civil pública.
No RE, o Ministério Público e o Sertesp sustentam que o Decreto-Lei 972/69, que estabelece as regras para exercício da profissão – inclusive o diploma –, não foi recepcionado pela Constituição de 1988.
Além disso, o artigo 4º, que estabelece a obrigatoriedade de registro dos profissionais da imprensa no Ministério do Trabalho, teria sido revogado pelo artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969, mais conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em 1992. Tal artigo garante a liberdade de pensamento e de expressão como direito fundamental do homem.
Advogados das partes
Essa posição foi reforçada, no julgamento de ontem, pela advogada do Sertesp, Taís Borja Gasparian, e pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. A advogada sustentou que o DL 972/69 foi baixado durante o regime militar e teve como objetivo limitar a livre difusão de informações e manifestação do pensamento. Segundo ela, o jornalista apenas exerce uma técnica de assimilação e difusão de informações, que depende de formação cultural, retidão de caráter, ética e consideração com o público.
Em apoio à mesma tese, o procurador-geral da República sustentou que a atual legislação contraria o artigo 5º, incisos IX e XIII, e o artigo 220 da Constituição Federal, que tratam da liberdade de manifestação do pensamento e da informação, bem como da liberdade de exercício da profissão.
O advogado João Roberto Piza Fontes, que subiu à tribuna em nome da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), advertiu que “o diploma não impede ninguém de escrever em jornal”. Segundo ele, a legislação dá espaço para os colaboradores com conhecimentos específicos em determinada matéria e, também, para os provisionados, autorizados a exercer o jornalismo onde não houver jornalista profissional formado nem faculdade de Comunicação.
Segundo ele, o RE é apenas uma defesa das grandes corporações e uma ameaça ao nível da informação, se o jornalismo vier a ser exercido por profissionais não qualificados, assim como um aviltamento da profissão, pois é uma ameaça à justa remuneração dos profissionais de nível superior que hoje estão na profissão.
Também em favor do diploma se manifestou o a advogada Grace Maria Mendonça, da Advocacia Geral da União (AGU). Ela questionou se alguém se entregaria na mão de um médico ou odontólogo, ou então de um piloto não formado. Segundo ela, não há nada no DL 972 que contrarie a Constituição Federal. Pelo contrário, ele estaria em plena consonância com a Carta.
Votos
Ao acompanhar o voto do relator, a ministra Cármen Lúcia disse que a CF de 1988 não recepcionou o DL 972. “Não há recepção nem material nem formal”, sustentou ela. Além disso, a ministra considerou que o artigo 4º do DL contraria o artigo 13 do Pacto de San Jose da Costa Rica.
No mesmo sentido votou o ministro Ricardo Lewandowski. Segundo ele, “o jornalismo prescinde de diploma”. Só requer desses profissionais “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”. Segundo ele, tanto o DL 972 quanto a já extinta – também por decisão do STF – Lei de Imprensa representavam “resquícios do regime de exceção, entulho do autoritarismo”, que tinham por objeto restringir informações dos profissionais que lhe faziam oposição.
Ao também votar pelo fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o ministro Carlos Ayres Britto distinguiu entre “matérias nuclearmente de imprensa, como o direito à informação, criação, a liberdade de pensamento”, inscritos na CF, e direitos reflexamente de imprensa, que podem ser objeto de lei. Segundo ele, a exigência do diploma se enquadra na segunda categoria. “A exigência de diploma não salvaguarda a sociedade para justificar restrições desproporcionais ao exercício da liberdade jornalística”, afirmou.
Ele ponderou, no entanto, que o jornalismo continuará a ser exercido por aqueles que têm pendor para a profissão, sem as atuais restrições. Ao votar contra elas, citou os nomes de Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Manuel Bandeira, Armando Nogueira e outros como destacados jornalistas que não possuíam diploma específico.
Por seu turno, ao votar com o relator, o ministro Cezar Peluso observou que se para o exercício do jornalismo fossem necessárias qualificações como garantia contra danos e riscos à coletividade, uma aferição de conhecimentos suficientes de verdades científicas exigidas para a natureza do trabalho, ofício ou profissão, o diploma se justificaria.
Entretanto, segundo ele, “não há, no jornalismo, nenhuma dessas verdades indispensáveis”, pois o curso de Comunicação Social não é uma garantia contra o mau exercício da profissão.
“Há riscos no jornalismo?”, questionou. “Sim, mas nenhum é atribuível ao desconhecimento de verdade científica que devesse governar a profissão”, respondeu, ele mesmo.
Ele concluiu dizendo que, “há séculos, o jornalismo sempre pôde ser bem exercido, independentemente de diploma”.
O ministro Eros Grau e a ministra Ellen Gracie acompanharam integralmente o voto do relator, ministro Gilmar Mendes.
Último a proferir seu voto no julgamento, o decano da Corte, ministro Celso de Mello, acompanhou o relator do recurso. O ministro fez uma análise histórica das constituições brasileiras desde o Império até os dias atuais, nas quais sempre foi ressaltada a questão do livre exercício da atividade profissional e acesso ao trabalho.
Ainda no contexto histórico, o ministro Celso de Mello salientou que não questionaria o que chamou de “origem espúria” do decreto-lei que passou a exigir o diploma ou o registro profissional para exercer a profissão de jornalista, uma vez que a norma foi editada durante o período da ditadura militar.
Para o ministro, a regra geral é a liberdade de ofício. Ele citou projetos de lei em tramitação no Congresso que tratam da regulamentação de diversas profissões, como modelo de passarela, design de interiores, detetives, babás e escritores. “Todas as profissões são dignas e nobres”, porém há uma Constituição da República a ser observada, afirmou.
Divergência
Ao abrir divergência e votar favoravelmente à obrigatoriedade do diploma de jornalista, o ministro Marco Aurélio ressaltou que a regra está em vigor há 40 anos e que, nesse período, a sociedade se organizou para dar cumprimento à norma, com a criação de muitas faculdades de nível superior de jornalismo no país. “E agora chegamos à conclusão de que passaremos a ter jornalistas de gradações diversas. Jornalistas com diploma de curso superior e jornalistas que terão, de regra, o nível médio e quem sabe até o nível apenas fundamental”, ponderou.
O ministro Marco Aurélio questionou se a regra da obrigatoriedade pode ser “rotulada como desproporcional, a ponto de se declarar incompatível” com regras constitucionais que preveem que nenhuma lei pode constituir embaraço à plena liberdade de expressão e que o exercício de qualquer profissão é livre.
“A resposta para mim é negativa. Penso que o jornalista deve ter uma formação básica, que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida dos cidadãos em geral. Ele deve contar com técnica para entrevista, para se reportar, para editar, para pesquisar o que deva estampar no veículo de comunicação”, disse o ministro.
“Não tenho como assentar que essa exigência, que agora será facultativa, frustando-se até mesmo inúmeras pessoas que acreditaram na ordem jurídica e se matricularam em faculdades, resulte em prejuízo à sociedade brasileira. Ao contrário, devo presumir o que normalmente ocorre e não o excepcional: que tendo o profissional um nível superior estará [ele] mais habilitado à prestação de serviços profícuos à sociedade brasileira”, concluiu o ministro Marco Aurélio.
O entendimento foi de que o Decreto-Lei 972/1969, baixado durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica.
A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511961, em que se discutiu a constitucionalidade da exigência do diploma de jornalismo e a obrigatoriedade de registro profissional para exercer a profissão de jornalista. A maioria, vencido o ministro Marco Aurélio, acompanhou o voto do presidente da Corte e relator do RE, ministro Gilmar Mendes, que votou pela inconstitucionalidade do DL 972.
Para Gilmar Mendes, “o jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensados e tratados de forma separada”, disse. “O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de forma contínua, profissional e remunerada”, afirmou o relator.
O RE foi interposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que afirmou a necessidade do diploma, contrariando uma decisão da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo, numa ação civil pública.
No RE, o Ministério Público e o Sertesp sustentam que o Decreto-Lei 972/69, que estabelece as regras para exercício da profissão – inclusive o diploma –, não foi recepcionado pela Constituição de 1988.
Além disso, o artigo 4º, que estabelece a obrigatoriedade de registro dos profissionais da imprensa no Ministério do Trabalho, teria sido revogado pelo artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969, mais conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em 1992. Tal artigo garante a liberdade de pensamento e de expressão como direito fundamental do homem.
Advogados das partes
Essa posição foi reforçada, no julgamento de ontem, pela advogada do Sertesp, Taís Borja Gasparian, e pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. A advogada sustentou que o DL 972/69 foi baixado durante o regime militar e teve como objetivo limitar a livre difusão de informações e manifestação do pensamento. Segundo ela, o jornalista apenas exerce uma técnica de assimilação e difusão de informações, que depende de formação cultural, retidão de caráter, ética e consideração com o público.
Em apoio à mesma tese, o procurador-geral da República sustentou que a atual legislação contraria o artigo 5º, incisos IX e XIII, e o artigo 220 da Constituição Federal, que tratam da liberdade de manifestação do pensamento e da informação, bem como da liberdade de exercício da profissão.
O advogado João Roberto Piza Fontes, que subiu à tribuna em nome da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), advertiu que “o diploma não impede ninguém de escrever em jornal”. Segundo ele, a legislação dá espaço para os colaboradores com conhecimentos específicos em determinada matéria e, também, para os provisionados, autorizados a exercer o jornalismo onde não houver jornalista profissional formado nem faculdade de Comunicação.
Segundo ele, o RE é apenas uma defesa das grandes corporações e uma ameaça ao nível da informação, se o jornalismo vier a ser exercido por profissionais não qualificados, assim como um aviltamento da profissão, pois é uma ameaça à justa remuneração dos profissionais de nível superior que hoje estão na profissão.
Também em favor do diploma se manifestou o a advogada Grace Maria Mendonça, da Advocacia Geral da União (AGU). Ela questionou se alguém se entregaria na mão de um médico ou odontólogo, ou então de um piloto não formado. Segundo ela, não há nada no DL 972 que contrarie a Constituição Federal. Pelo contrário, ele estaria em plena consonância com a Carta.
Votos
Ao acompanhar o voto do relator, a ministra Cármen Lúcia disse que a CF de 1988 não recepcionou o DL 972. “Não há recepção nem material nem formal”, sustentou ela. Além disso, a ministra considerou que o artigo 4º do DL contraria o artigo 13 do Pacto de San Jose da Costa Rica.
No mesmo sentido votou o ministro Ricardo Lewandowski. Segundo ele, “o jornalismo prescinde de diploma”. Só requer desses profissionais “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”. Segundo ele, tanto o DL 972 quanto a já extinta – também por decisão do STF – Lei de Imprensa representavam “resquícios do regime de exceção, entulho do autoritarismo”, que tinham por objeto restringir informações dos profissionais que lhe faziam oposição.
Ao também votar pelo fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o ministro Carlos Ayres Britto distinguiu entre “matérias nuclearmente de imprensa, como o direito à informação, criação, a liberdade de pensamento”, inscritos na CF, e direitos reflexamente de imprensa, que podem ser objeto de lei. Segundo ele, a exigência do diploma se enquadra na segunda categoria. “A exigência de diploma não salvaguarda a sociedade para justificar restrições desproporcionais ao exercício da liberdade jornalística”, afirmou.
Ele ponderou, no entanto, que o jornalismo continuará a ser exercido por aqueles que têm pendor para a profissão, sem as atuais restrições. Ao votar contra elas, citou os nomes de Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Manuel Bandeira, Armando Nogueira e outros como destacados jornalistas que não possuíam diploma específico.
Por seu turno, ao votar com o relator, o ministro Cezar Peluso observou que se para o exercício do jornalismo fossem necessárias qualificações como garantia contra danos e riscos à coletividade, uma aferição de conhecimentos suficientes de verdades científicas exigidas para a natureza do trabalho, ofício ou profissão, o diploma se justificaria.
Entretanto, segundo ele, “não há, no jornalismo, nenhuma dessas verdades indispensáveis”, pois o curso de Comunicação Social não é uma garantia contra o mau exercício da profissão.
“Há riscos no jornalismo?”, questionou. “Sim, mas nenhum é atribuível ao desconhecimento de verdade científica que devesse governar a profissão”, respondeu, ele mesmo.
Ele concluiu dizendo que, “há séculos, o jornalismo sempre pôde ser bem exercido, independentemente de diploma”.
O ministro Eros Grau e a ministra Ellen Gracie acompanharam integralmente o voto do relator, ministro Gilmar Mendes.
Último a proferir seu voto no julgamento, o decano da Corte, ministro Celso de Mello, acompanhou o relator do recurso. O ministro fez uma análise histórica das constituições brasileiras desde o Império até os dias atuais, nas quais sempre foi ressaltada a questão do livre exercício da atividade profissional e acesso ao trabalho.
Ainda no contexto histórico, o ministro Celso de Mello salientou que não questionaria o que chamou de “origem espúria” do decreto-lei que passou a exigir o diploma ou o registro profissional para exercer a profissão de jornalista, uma vez que a norma foi editada durante o período da ditadura militar.
Para o ministro, a regra geral é a liberdade de ofício. Ele citou projetos de lei em tramitação no Congresso que tratam da regulamentação de diversas profissões, como modelo de passarela, design de interiores, detetives, babás e escritores. “Todas as profissões são dignas e nobres”, porém há uma Constituição da República a ser observada, afirmou.
Divergência
Ao abrir divergência e votar favoravelmente à obrigatoriedade do diploma de jornalista, o ministro Marco Aurélio ressaltou que a regra está em vigor há 40 anos e que, nesse período, a sociedade se organizou para dar cumprimento à norma, com a criação de muitas faculdades de nível superior de jornalismo no país. “E agora chegamos à conclusão de que passaremos a ter jornalistas de gradações diversas. Jornalistas com diploma de curso superior e jornalistas que terão, de regra, o nível médio e quem sabe até o nível apenas fundamental”, ponderou.
O ministro Marco Aurélio questionou se a regra da obrigatoriedade pode ser “rotulada como desproporcional, a ponto de se declarar incompatível” com regras constitucionais que preveem que nenhuma lei pode constituir embaraço à plena liberdade de expressão e que o exercício de qualquer profissão é livre.
“A resposta para mim é negativa. Penso que o jornalista deve ter uma formação básica, que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida dos cidadãos em geral. Ele deve contar com técnica para entrevista, para se reportar, para editar, para pesquisar o que deva estampar no veículo de comunicação”, disse o ministro.
“Não tenho como assentar que essa exigência, que agora será facultativa, frustando-se até mesmo inúmeras pessoas que acreditaram na ordem jurídica e se matricularam em faculdades, resulte em prejuízo à sociedade brasileira. Ao contrário, devo presumir o que normalmente ocorre e não o excepcional: que tendo o profissional um nível superior estará [ele] mais habilitado à prestação de serviços profícuos à sociedade brasileira”, concluiu o ministro Marco Aurélio.
Notícias STF
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